Entrevista com uma refugiada no Shabat

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23 de outubro de 2015

No Eliezer Max, o Shabat é sempre uma oportunidade para fazermos uma reflexão coletiva sobre questões contemporâneas, e entendermos nosso papel no mundo. Hoje recebemos Mireille Muluila, da República Democrática do Congo, que fugiu da guerra e da violência em seu país em 2014 e hoje trabalha com a Cáritas no Rio de Janeiro.

No início da manhã, os alunos do Ensino Fundamental II conversaram com representantes da Cáritas, o braço humanitário da Igreja católica, e que atua em parceria com a ONU e o Ministério da Justiça para acolher e integrar os refugiados no Brasil. Os alunos aprenderam que existem quase 60 milhões de pessoas no mundo, atualmente, que estão submetidas a deslocamentos forçados, e puderam entender melhor as dificuldades pelas quais passam essas pessoas quando conseguem abrigo em outro país, desde o idioma até a integração social e econômica.

Aos alunos e professores do Ensino Médio, Mireille contou sobre a violência em seu país, sobre o dia em que os rebeldes invadiram sua casa e aterrorizaram sua família, e sobre a perseguição que sofreu apenas por ser da mesma etnia que um líder da oposição. Por falar 7 idiomas, inclusive os vários dialetos de seu país, Mireille é hoje peça fundamental no acolhimento aos refugiados vindos da África. Falando da importância de nos mobilizarmos para esse tema, ressaltou que o desconhecimento e a ignorância fomentam a desconfiança e o preconceito contra os recém-chegados, dificultando a situação daqueles que já lidam com muitos fatores de vulnerabilidade.

O coordenador Michel Gherman lembrou da condição de refugiados de muitos de nossos antepassados recentes, dizendo a Mireille que, enquanto judeus no Brasil, “a única diferença entre nós é que nós FOMOS refugiados, enquanto que vocês SÃO.” E, antes de celebrar o Kabalat Shabat com nossa convidada, encerrou o encontro com uma reflexão sobre direitos humanos no mundo, em especial sobre a importância de “dar a mão para o outro, sabendo que nós dependemos antes da mão do outro.” Shabat Shalom!

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